"Prefeito amigo do autista": Casa Azul de Angelim vira referência nacional e já atende 300 alunos
Marcos Moura
Não me canso de falar sobre a Casa Azul. Ela é necessária na vida dos angelinenses.
Essa é a frase que mais se ouve em Angelim quando o assunto é inclusão. E com razão.
A Casa Azul, que completa 1 ano no próximo dia 14 de novembro, já nasceu pequena para o tamanho da demanda.
Idealizada pelo prefeito Caíque, ela se tornou a principal entrega da educação do município e hoje é apontada como modelo que pode ser replicado no Brasil.
De uma sala vista num congresso para uma casa inteira
A ideia, segundo o prefeito, nasceu de forma simples. Num congresso, ele viu uma "sala azul" e pensou maior:
"Por que não fazer uma casa?" A partir daí, foram noites de estudo. "Comecei a estudar de madrugada, vídeo traduzido em espanhol.
O que está nos planos de governo de Lula, Flávio, João e Raquel não é nem perto do que temos na Casa Azul.
Convido o governo federal e estadual para visitarem", disse Caíque.
Como funciona: um ciclo sistêmico completo
A Casa Azul não é só uma clínica. É um sistema que une quatro áreas:
1. Educação: com psicopedagogia e neuropsicopedagogia.
2. Saúde: com neuropediatra, fonoaudiólogo, psicomotricista, psicólogos, nutricionista e, em breve, fisioterapeuta.
3. Assistência Social: que identifica vulnerabilidades que travam o desenvolvimento da criança, como fome, violência doméstica e uso de álcool e drogas na família.
4. Jurídico: que busca garantir benefícios e direitos para as mães e as crianças. Para chegar até a Casa, ninguém fica para trás.
A van "Azuzinho" roda os sítios para buscar o aluno e levá-lo para atendimento. Números que impressionam.
O impacto aparece nos dados. Antes da Casa Azul, a rede municipal tinha 51 alunos laudados com autismo, cerca de 3% dos estudantes.
Em menos de dois anos, após a implantação do atendimento com neuropediatra, esse número saltou para 299 alunos neurodivergentes - 17% da rede.
"Pensávamos em 100 alunos, já temos 300. Quase 20% dos alunos", afirmou o prefeito.
Histórias que emocionam
São 300 histórias. Duas delas marcam: Miguel, de 5 anos, sobrinho de Neto da Mídia, falou a primeira frase após o atendimento na Casa: "Oi, tudo bem? Tchau".
Outra criança, de 4 anos e meio, disse "mamãe" pela primeira vez depois do acompanhamento.
Cuidado com quem cuida
Toda sexta-feira acontece o Projeto Acolhimento e Escuta.
São rodas de conversa, chá, tarde de maquiagem e dança na chácara do prefeito. A iniciativa é coordenada por Taciana, madrinha da Casa Azul.
"Só sabe o que é cuidar de um filho autista é a mãe. Elas precisam ser cuidadas", diz ela.
O futuro: de Angelim para o Brasil
De tão grande, a Casa Azul já precisa expandir.
A prefeitura vai desapropriar a área do CRAS para ampliar o espaço. O próximo passo é levar o modelo para Brasília.
O prefeito vai apresentar o projeto à senadora Tereza Leitão, presidente da Comissão da Primeira Infância, para que seja replicado nacionalmente.
"Em Barcelona, o jogador Cucurella foi morar em Madri porque não tinha escola para os filhos autistas. Angelim tem", finalizou.

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