Definidas as datas dos principais debates do segundo turno da eleição presidencial de 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. De acordo com o calendário divulgado pelas emissoras, o primeiro confronto acontece no dia 11 de outubro, sábado, às 21h, na Record. O segundo está marcado para o dia 15 de outubro, às 22h, na CNN Brasil. O mais aguardado, da TV Globo, será no dia 23 de outubro, com horário ainda a ser definido pela emissora.
Com a agenda na mesa, volta a pergunta que o eleitor faz em todo segundo turno: pra que serve um debate? Debate é igual a pesquisa? Define alguma coisa na realidade?
A resposta da ciência política é direta. Pesquisa e debate são instrumentos completamente diferentes. A pesquisa é um retrato, uma fotografia do momento. Ela mede a intenção de voto e mostra quem está na frente. O debate, por sua vez, é um fato político. Ele é o único momento em que a legislação eleitoral coloca os dois candidatos finalistas frente a frente, sem roteiro, sob as mesmas regras e com tempo igual para expor, atacar e se defender.
Historicamente, o debate tem três funções principais. A primeira é o confronto direto de propostas e de trajetórias, permitindo ao eleitor comparar lado a lado o domínio sobre temas como economia, segurança e saúde. A segunda é o teste de temperamento e preparo sob pressão, algo que a propaganda eleitoral editada não mostra. E a terceira, talvez a mais importante hoje, é falar com o eleitor indeciso.
Levantamentos apontam que a maior parte do eleitorado já chega ao segundo turno com o voto decidido, herdado do primeiro turno. O debate não costuma virar o voto do eleitor fiel. Ele é decisivo para uma parcela que varia entre 5% e 10% do eleitorado, formada por indecisos, por quem votou nulo ou em candidatos eliminados e por quem está desmotivado a comparecer no dia da votação.
Se no passado um único debate era capaz de definir uma eleição, hoje o seu efeito é mais diluído. Com a força das redes sociais, o que realmente circula e define a reta final não são as duas horas completas de transmissão, mas os cortes de 30 segundos que se espalham pelo WhatsApp, TikTok e Instagram na manhã seguinte.
Na prática, o debate não elege sozinho, mas pode desanimar ou mobilizar a base, gerar a manchete negativa que vai dominar a última semana e mostrar quem está mais preparado para o cargo. É o último exame antes da contratação. E é por isso que, mesmo com pesquisas já na rua, todos param para assistir.

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