Enquanto brasileiro lava prato no Texas pra sobreviver, o maior Polo de Confecções do Nordeste, aqui no Agreste, tem máquina parada.
Tem pedido, tem tecido, mas não tem quem costure.
Entenda em 5 pontos por que Toritama, Caruaru e Santa Cruz estão sem costureiras:
1. Precarização:
Pagamento de centavos por peça, 12 a 15h sentada, sem carteira. A conta não fecha.
2. Geração não quer:
Filha da costureira prefere ser vendedora ou digital influencer a ficar na overloque.
3. Virou dona do box:
As melhores cansaram de patrão e montaram sua banca no Moda Center. Ganham mais vendendo 30 peças próprias do que uma semana em facção.
4. Bolsa Família:
Empresário diz que desestimula. Mas a real é outra: se R$ 600 garantidos valem mais que R$ 800 exaustivos e incertos, o problema é o salário que se paga, não o benefício.
5. Shein:
Como pagar bem se a calça chinesa chega a R$ 39,90? Margem sumiu. O Polo movimenta R$ 6 bilhões, mas está preso nos anos 80.
Como disse o empresário Hudson Rosa, de Caruaru: "Não é só curso do SENAI. Tem que formalizar, modernizar e devolver prestígio à costureira".
Se não mudar, teremos um Moda Center gigante vendendo roupa importada, porque não teve quem costurasse a nossa.
Uma costureira boa, que faz 150 peças por dia bem feitas, hoje é "comprada" por outra facção. O cara chega na porta da oficina e oferece:
"Vem pra cá que eu te pago R$ 0,40 por peça,em vez de R$ 0,25, te dou adiantamento de R$ 500 e almoço." Ela vai.
Na semana seguinte, outra fábrica oferece R$ 0,50. Aí virou leilão. Quem perde é o pequeno, que forma a costureira e perde ela pro maior que paga R$ 0,10 a mais.
Gente boa no Polo, virou ouro!