Nessa grande confusão do "voto casado e voto
traído", os candidatos da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) —
Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD) — são os que correm o maior risco
de perder votos. Do outro lado, Marília Arraes (PDT) também sofreu
um baque importante na base regional.
O enfraquecimento de cada candidatura devido à
rebelião dos prefeitos e líderes partidários desenha o seguinte cenário:
1. Eduardo da Fonte (PP) – Alto Risco de
Esvaziamento
Eduardo da Fonte é um político tradicional que
depende fundamentalmente de bases municipais fortes e prefeitos para transferir
votos para o Senado.
O Motivo: Como o senador Fernando Dueire
abriu uma dissidência e puxou dezenas de prefeitos governistas para apoiar Humberto
Costa (PT), o plano de Raquel Lyra de dar uma votação fechada para a sua
chapa (Dudu + Túlio) colapsou.
O
Impacto: Muitos
prefeitos do PP e de partidos aliados, que deveriam dar o voto para Eduardo da
Fonte, estão fechando acordos informais onde entregam o primeiro voto para
Humberto. Dudu da Fonte corre o risco de ver sua "máquina" do
interior trabalhar para o adversário.
2. Túlio Gadêlha (PSD) – O Elo Mais Fraco da Chapa
Túlio Gadêlha tem um eleitorado mais focado na
Região Metropolitana e no público jovem/progressista. Ele foi colocado na chapa
para ser o puxador de votos de centro-esquerda de Raquel, mas não tem o
controle de grandes currais eleitorais.
O Motivo: Na hora do desespero, os
prefeitos do interior priorizam candidatos que liberam emendas e que têm
estruturas partidárias pesadas. Se o prefeito governista tiver que escolher
salvar apenas um nome da chapa para não se indispor totalmente com Raquel, ele
escolherá Eduardo da Fonte.
O
Impacto: Túlio é
o candidato que corre o maior risco de ficar "isolado" e sem o
empenho real dos prefeitos no interior, virando o voto de sacrifício dessa
crise.
3. Marília Arraes (PDT) – Perda de Apoio no
Agreste/Sertão
Embora Marília Arraes lidere as pesquisas gerais,
ela tomou um golpe duro em uma estrutura regional importante.
O Motivo: Ao quebrar o acordo de suplência
com Álvaro Porto (Presidente da Alepe), ela não perdeu apenas o apoio
dele, mas de todo o grupo político e prefeitos que Álvaro lidera na região do
Agreste e da Zona da Mata.
O Impacto: O eleitorado que seria levado de
forma organizada pelos prefeitos ligados a Álvaro Porto agora vai migrar para
outros concorrentes, desidratando o teto de votos de Marília nessas cidades
específicas.
Quem se beneficia com essa bagunça?
Humberto
Costa (PT): É o
maior vitorioso. Está recebendo de bandeja o apoio de prefeitos da própria base
da governadora. Como o eleitor vota em dois senadores, o prefeito finge apoiar
a chapa de Raquel, mas pede o voto para Humberto nos bastidores.
Mendonça
Filho (PL): Corre
por fora sem precisar dar explicações. Ele recolhe os votos dos eleitores e
prefeitos de direita/centro que estão revoltados com as traições na chapa
governista e que se recusam a votar no PT de Humberto ou no PDT de Marília.
Resumo: A confusão enfraquece a chapa governista. Túlio
Gadêlha e Eduardo da Fonte perdem a exclusividade dos votos dos prefeitos de
Raquel, abrindo uma avenida para Humberto Costa consolidar sua vaga.