México suspende importação de frango brasileiro após surto de doença de Newcastle; trata-se de uma infecção respiratória altamente contagiosa entre as aves; as autoridades brasileiras detectaram, no domingo (18), um surto da doença em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina; além da carne de frango, a suspensão também se aplica a outros produtos de origem avícola, como aves vivas e ovos férteis, informou o órgão mexicano em comunicado; a doença de Newcastle é uma zoonose menor; em humanos, ela não é transmitida pelo consumo de carne de aves ou ovos inspecionados, mas pelo contato direto e desprotegido de trabalhadores e laboratoristas com secreções de aves infectadas
No caso de Doença de Newcastle, o que o Ministério da Agricultura - MAPA costuma fazer é um protocolo sanitário bem padrão.
Foi o mesmo que aconteceu no caso de 2024 no Rio Grande do Sul.
Com esse foco detectado no domingo, 18, em Nova Itaberaba-SC, o caminho é esse:
1. Dentro da granja - contenção imediata Interdição total do estabelecimento.
Abate sanitário e descarte das aves do foco
Limpeza, desinfecção e vazio sanitário de pelo menos 21 dias
Rastreamento de onde saíram e entraram aves, ovos, ração e caminhões nos últimos 21 dias.
2. Ao redor do foco
Criação de uma zona de proteção de 3km e vigilância de 7km a 10km
Censo de todas as granjas na região e proibição de movimentação de aves vivas
Coleta de material em granjas vizinhas para provar que o vírus não se espalhou
3. Na parte internacional - que é o que interessa para o México
O Brasil vai ter que notificar a OMSA - Organização Mundial de Saúde Animal - e ao mesmo tempo tentar negociar o princípio da regionalização.
O que o México fez agora - suspender tudo do Brasil inteiro - é o padrão automático de proteção.
O que o MAPA pode fazer é apresentar os relatórios de que o surto está confinado só a Santa Catarina, ou só àquele município, para o México voltar a comprar do resto do país.
O Brasil é o maior exportador do mundo e já tem esse acordo de regionalização previsto com vários países.
Se o Ministério provar com laudos laboratoriais que não há circulação do vírus fora da zona de 10km, a tendência é o México e outros países que suspenderem voltarem a liberar por estado.
Sobre o risco:
Como o seu texto já diz, a Newcastle não é transmitida pelo consumo de carne ou ovo inspecionado. O risco é ocupacional, para quem tem contato direto com a ave doente sem EPI.
Por isso não há risco para o consumidor, mas há impacto comercial grande porque é uma doença de notificação obrigatória.Se for contido rápido, como em 2024, o Brasil consegue reverter as suspensões em poucos dias/semanas.