Divisão de forças de Raquel e João a partir dos votos
A vitória de Raquel Lyra no 1º turno foi construída no interior.
Ela venceu em 132 dos 184 municípios mais Fernando de Noronha.
João Campos concentrou força no Recife, em parte da RMR e em redutos específicos do Agreste e Sertão.
Para os cientistas políticos Felipe Ferreira Lima e Elton Gomes, o resultado expõe duas estratégias: voto de intensidade e voto de extensão.
João teve percentuais muito altos em alguns municípios, acima de 60% e até 73% em Santa Cruz.
Raquel teve votação constante e espalhada por quase todo o território.
A chave foi a inversão da lógica tradicional. Em vez de partir da capital para o interior, Raquel fez o caminho do Sertão ao cais.
Como governadora, usou a máquina de obras, estradas e programas para atrair prefeitos e lideranças.
João apostou na popularidade do Recife.
Na capital, João venceu por pouco: 49,94% contra 46,07% de Raquel, diferença de 36 mil votos.
Na RMR, o jogo virou: dos 14 municípios, Raquel levou 11. Só perdeu Recife, Olinda e São Lourenço.
O mapa regional confirma:Sertão: dividido. João levou Itaparica, Raquel levou Pajeú, Moxotó e Central.
Venceu em Serra Talhada com 54,3%.
Agreste Central: hegemonia de Raquel, 22 de 26 municípios. Em Caruaru, sua base política, 75,2%. No Setentrional, chegou a 83,3% em Santa Cruz do Capibaribe.
Zona da Mata: maior demonstração de extensão. Raquel venceu 39 de 43 municípios. O PSB perdeu força na região e prefeitos se aproximaram do governo por pragmatismo e dependência de recursos estaduais.
Em resumo: João manteve intensidade onde já era forte. Raquel construiu extensão territorial, transformando alianças de interior em votos e quase empatando no reduto principal do adversário.

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