quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ainda hoje, gente de vergonha na cara não aceita ser tratado assim: De Safado!

Sr. CARIRI PERGUNTA:
QUEM É O SAFADÃO NESSA HISTÓRIA?
QUEM É O SAFADON?

Um original, Edson Tavares
Desde a sua origem etimológica, “safado”, aquele que “se safou”, que escapou de algo, carrega a pecha de identificar alguém que opta por caminhos "alternativos", pouco dignos, para suas ações; daí se tornar sinônimo de desvio comportamental, e, consequentemente, xingamento dos mais agressivos: alguém ser chamado de safado era motivo de briga feia. Ainda hoje, gente de vergonha na cara não aceita ser tratado assim.
Diante dos absurdos que acontecem no país, o termo SAFADEZA cada vez mais separa quem se acha prestar dos que não valem nada, no dizer dos primeiros. No campo político, então, esta palavra campeia largamente, gerando até pleonasmo quando associada aos tais agentes políticos.
Num tempo e cenário desses, surge um menino que resolve assumir o nome artístico de “Safadão”. Isso já bastaria para se arquear a sobrancelha... Mas, para não dizer que não falei de flores, tentei vencer meu asco inicial e me aproximar do dejeto. Constatei que a “safadeza” reveste-se de uma conotação que pretende ser erótica, sensual – o que é corroborado pela exótica e meio que indefinida figura do “artista”.
E fui ouvir-lhe alguns hits que fazem sucesso na chamada “galera descolada”; “A gente se encontra, o amor pega fogo / A gente SE AMA E DEPOIS AMA DE NOVO / Sem vergonha e descarado / É o nosso jeito safado”. Não é preciso procurar mais letras, pois que todas rondam esse diapasão monótono e repetitivo, a não ser quando descambam para a agressão simples e efetiva às mulheres (aquelas mesmas que se rasgam de amores pelo “safado”): “Aquele 1% é vagabundo / Safado e ELAS GOSTAM”. Homem que acha que mulher gosta de homem safado só se equipara a mulher que aceita homem dizer isso dela.
Eu sinto uma vergonha alheia tremenda, quando vejo delírios feminis a letras como “Novinha vai no chão / Novinha vai no chão / Novinha vai no chão / Chão, chão, chão, chão. / Novinha vai no chão / Novinha vai no chão / Novinha vai no chão / Chão, chão, chão, chão”. Além do flagrante desrespeito (natural de quem é safado), a letra é deprimente, do ponto de vista inteligível – chego a questionar a saúde mental de quem produz, canta e curte esse tipo de coisa.
Mas a própria letra diz, em seguida: “Se eu quero poesia / Eu escuto Roupa Nova, eu escuto Djavan / Os cara que eu sou fã / Mas eu sou novo e tô solteiro na balada tô nem ai pra nada / Eu quero é curtir, eu quero é beijar / No show do safadão a galera vai dançar”.
PERGUNTO: precisa ser dita mais alguma coisa???
Só lamentar o tipo de artista e de música (e me abstenho de falar das deficiências técnicas, por não dominar o assunto) que arrasta multidões de jovens e superlota espaços gigantescos, para compreender uma das razões pelas quais o país encontra-se no caos atual; afinal, eleger um safado assumido como ícone nacional é eloquente afirmação da degradação de valores em que estamos mergulhados, enlameados e chafurdados.
P/ Sr. CARIRI
Artigo: Professor Edson Tavares
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