Ministro da Segunda Turma do STF afirma que caso vai além de crime de colarinho branco e envolve armas e infiltração policial
Em sessão presencial da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça classificou o Caso Banco Master como um esquema com "contornos de máfia" e de "crime organizado mafioso".
Ao votar, Mendonça afirmou que o processo não se trata apenas de um crime financeiro. Segundo ele, a investigação revela uma estrutura que ultrapassa as fraudes cometidas em gabinetes e no mercado financeiro.
"Não é simplesmente um crime do colarinho branco. É mais do que isso. Não são simplesmente atores no gabinete, na Faria Lima, nos palácios, que praticaram fraudes e crimes de corrupção, de lavagem de dinheiro", declarou.
O ministro foi além e citou elementos que, em sua avaliação, caracterizam a gravidade do caso:
"Não, aqui há contornos de máfia. Há contornos de crime organizado mafioso. De fuzis, de metralhadoras, de armas raspadas, de infiltração no sistema policial", afirmou.
Mendonça agradeceu a realização do julgamento de forma presencial, o que, segundo ele, permitiu "pôr às claras algumas coisas que não estão tão claras, quiçá questões até ocultas".
Em tom pessoal, o ministro relembrou uma conversa com o ministro Gilmar Mendes, na época de sua indicação ao Supremo, sobre a necessidade de coragem para ocupar o cargo.
"Vossa Excelência pontuou que pra ser ministro do Supremo é preciso ter coragem. E me lembro do que lhe respondi na ocasião: não tenho medo da morte, quanto mais de ser ministro de um Tribunal. Não tenho medo de combater o crime aplicando a lei, não tenho medo de absolver quem é inocente, não ajo por pressões de mídia e nem busco a mídia", concluiu.
O Caso Master investiga um suposto esquema bilionário de fraudes com títulos de crédito falsos envolvendo o Banco Master, que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

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