domingo, 6 de setembro de 2026

UM 7 DE SETEMBRO DE SILÊNCIO: PETROLINA PERDE A VOZ DE WASHINGTON LUIZ E O ENTERRA AO SOM DO DOBRADO DA SAUDADE

Ser sepultado no Dia da Independência é o último brado do radialista que nunca se calou
 
Luizinho (Luizinho em pé)
 


A manhã de 7 de setembro acordou triste em Petrolina. Não tem hino. *Não tem desfile. Tem silêncio. É o dobrado. Aquele toque lento, grave, de marcha fúnebre que a banda toca quando um soldado cai.

Hoje, o soldado é da comunicação. Morreu neste domingo (6), no Hospital Regional de Juazeiro, o radialista Washington Luiz, o Luizinho.

O homem que por décadas foi o brado do Vale do São Francisco. Começou na Rádio Juazeiro. Passou pela Emissora Rural. E fez história na Grande Rio AM, no inesquecível Agente Policial 680.

Era a voz que acordava Petrolina, que denunciava, que informava. Uma referência. Ele enfrentava problemas de saúde. O microfone, que por tanto tempo foi extensão do seu corpo, silenciou. E agora a coincidência que dói e homenageia: ser velado e sepultado num feriado da Independência.

Que homenagem é essa, Luizinho? Que brado? Que grito? Que independência? Que descanso? Ser sepultado num 7 de setembro é como se o Brasil parasse em continência para você.

É o país em feriado rendendo homenagem ao profissional que nunca tirou folga da notícia. O velório de Washington Luiz será no Centro de Velório da Avenida das Nações, a partir da meia-noite desta segunda (7). 
 
O sepultamento, às 11h, no Cemitério Campo da Paz. Petrolina vai enterrar seu comunicador ao som do hino da saudade.

Vai com Deus, Luizinho. O seu último programa foi no dia da Independência. E você, enfim, ficou livre. Descanse em paz, brado do Vale.
 
 Um pouco de sua trajetória
 
Estreou no rádio em 1974, aos 14 anos, no antigo serviço de alto-falante "A voz do povo" (em Juazeiro).

O gosto pelo rádio, entretanto, começou muito antes, ao 9 anos, quando brincava com seus amigos narrando jogos de futebol do bairro em que morava, o Quilômetro Dois, em Petrolina.

Conhecido por sua narrativa "pausada e enfática", teve como inspiração para o exercício da sua profissão o grande "Repórter Somassa" (Carlos Augusto Amariz).

Trabalhou nas rádios Juazeiro, Emissora Rural e Grande Rio AM.

* Não tem desfile (expressão ilustrativa do texto)
Foto - Luizinho e Carlos Augusto 
 

 

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