"Rouba mas faz" nasceu lá nos anos 50 com Adhemar de Barros em São Paulo. O povo já sabia que ele roubava, mas como ele fazia obra, asfaltava, construía ponte, o povo perdoava.Essa frase nunca morreu porque ela revela 3 verdades duras:
1. O brasileiro trocou a ética pela obra.
Se o político rouba 100 e faz 10, muita gente acha que tá no lucro porque "pelo menos fez os 10". O outro que não rouba e não faz nada é visto como pior. A gente normalizou o suborno. Virou taxa de obra.
2. É atestado de desespero, não de burrice.
Quando o Estado nunca chega, quando falta posto, escola, estrada, qualquer um que entrega algo concreto, mesmo roubando, vira herói. O povo não está defendendo o roubo.
Está dizendo: "Eu tô tão abandonado que até um ladrão que faz alguma coisa é melhor que vocês que nunca fizeram nada".
3. É o que sustenta o "roubo abertamente" de hoje.
O político entendeu a fórmula. Ele não precisa mais esconder. Ele só precisa fazer uma obra visível, uma praça, um asfalto, um hospital com o nome dele na placa, e postar no Instagram.
A obra vira álibi pro roubo. E aí fecha o ciclo.
Antes escondia porque tinha vergonha.
Hoje mostra o saco de dinheiro porque sabe que uma parte do povo vai gritar "mas ele fez!"
No fim, quem paga a conta do "rouba mas faz" é sempre o mesmo: o povo que fica com a obra pela metade e com o rombo inteiro.

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