sexta-feira, 11 de setembro de 2026

RENATA EM PORTUGAL - Os pés na uva

 

O WhatsApp do pai toca de madrugada no Brasil.

É de tardezinha no Douro.

RENATA: Pai! Ameiiiii! Que mensagem tão linda MARCOS: Pois é, minha filha...RENATA: O senhor é demais! Kkkkkkkkkkkk

Deu até sugestões para o jantar!

MARCOS: Foi?

RENATA: Foi! Eu fui nessa Quinta da Pacheca ontem. Pai, é muito muito gelado kkkk

MARCOS: E aí? Como foi?

RENATA: E eu pensava que era só para fazer a brincadeira mesmo, mas não! Eles utilizam de verdade e falam que o vinho fica mais saboroso, menos ácido e com mais frescor.

MARCOS: Ah, isso aí não é passeio não, Renata. É batismo!

Pisar na uva na Quinta da Pacheca é uma das experiências mais antigas do Douro - tem mais de 200 anos de tradição.

O choque primeiro: a uva tá gelada. Você entra no lagar de granito e o frio sobe pela canela. Depois vem o estalo da uva estourando debaixo do pé.

É escorregadio, grudento. O cheiro: sobe aquele perfume forte de vinho novo, de mosto fermentando. Embriaga só de respirar.

 

A alma: Lá na Pacheca eles ainda fazem no método raiz - todo mundo de mão dada, cantando, marchando em círculo, esmagando a uva como se fazia há séculos.

A perna fica roxa até o joelho. Não é só pisar na uva. É pisar na história de Portugal. Dizem que quem pisa na uva na Pacheca, deixa o cansaço lá e leva o vinho na alma.

RENATA: Pai, minha perna ficou roxa mesmo! kkkkMARCOS: De Caruaru para o Douro, minha filha. Você com seu esposo vivendo o que muito português sonha viver.

RENATA: Obrigada por tudo, pai.

E lá no Douro, enquanto o vinho descansava, uma filha lembrava que a melhor tradição que ela já pisou não foi a da uva. Foi a que o pai ensinou em casa.

 

 


 

     

                   

                                           



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