O WhatsApp do pai toca de madrugada no Brasil.
É de tardezinha no Douro.
RENATA: Pai! Ameiiiii! Que mensagem tão linda MARCOS: Pois é, minha filha...RENATA: O senhor é demais! Kkkkkkkkkkkk
Deu até sugestões para o jantar!
MARCOS: Foi?
RENATA: Foi! Eu fui nessa Quinta da Pacheca ontem. Pai, é muito muito gelado kkkk
MARCOS: E aí? Como foi?
RENATA: E eu pensava que era só para fazer a brincadeira mesmo, mas não! Eles utilizam de verdade e falam que o vinho fica mais saboroso, menos ácido e com mais frescor.
MARCOS: Ah, isso aí não é passeio não, Renata. É batismo!
Pisar na uva na Quinta da Pacheca é uma das experiências mais antigas do Douro - tem mais de 200 anos de tradição.
O choque primeiro: a uva tá gelada. Você entra no lagar de granito e o frio sobe pela canela. Depois vem o estalo da uva estourando debaixo do pé.
É escorregadio, grudento. O cheiro: sobe aquele perfume forte de vinho novo, de mosto fermentando. Embriaga só de respirar.
A alma: Lá na Pacheca eles ainda fazem no método raiz - todo mundo de mão dada, cantando, marchando em círculo, esmagando a uva como se fazia há séculos.
A perna fica roxa até o joelho. Não é só pisar na uva. É pisar na história de Portugal. Dizem que quem pisa na uva na Pacheca, deixa o cansaço lá e leva o vinho na alma.
RENATA: Pai, minha perna ficou roxa mesmo! kkkkMARCOS: De Caruaru para o Douro, minha filha. Você com seu esposo vivendo o que muito português sonha viver.
RENATA: Obrigada por tudo, pai.
E lá no Douro, enquanto o vinho descansava, uma filha lembrava que a melhor tradição que ela já pisou não foi a da uva. Foi a que o pai ensinou em casa.






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