domingo, 7 de junho de 2026

"Fiquei com medo de dar um nó, ao ver na mata a cobra de cipó". Eita! o Cobra de Cipó de Angelim é um baita de um poeta

 



 

Eu admiro esse rapaz oriundo da zona rural, veio pra cidade mostrar serviço, mostrar seu conhecimento e sua arte. Escreve tudo. Recita tudo. Fiquei com medo de dar um nó, ao  ver na mata a cobra de cipó, mas aqui me refiro ao artista de Angelim, Cobra de Cipó, que homenageia sua querida cidade.

O poema diz que Angelim nasceu da teimosia de quatro irmãos, da bênção de uma água que brotou do nada, e da reza do povo. É a certidão de nascimento contada por um poeta da terra, com sotaque, suor e fé.

É por isso que no aniversário de 95 anos, faz todo sentido lembrar do Cobra de Cipó. Ele não deixa a gente esquecer de onde viemos. Não sei, amigo Cobra de Cipó se interpretei bem, devo ter acrescentado algo mais, e bota mais nisso. Fiquei doido. Rapaz é tanta coisa, que me enrolei.

A Origem Mítica dos Quatro Irmãos

"Angelim foi fundada por quatro irmãos subindo a ladeira de chapéu de palha com um saco de estivas"

A cidade não nasce de decreto, nasce do pé no chão. Os quatro irmãos são os fundadores simbólicos. O "chapéu de palha" e o "saco de estivas" mostram que eram gente simples, agricultores, carregando o essencial pra começar a vida. É a fundação pelo trabalho. 

A Luta com a Natureza Seca.

"matado a seco da água sem força para subir o caldeirão"

O sertão castiga. "Matado a seco" é a sede, a falta d'água. "Caldeirão" são as depressões nas pedras que guardam água da chuva. Nem isso tinha força. É a saga do homem do Agreste contra a seca pra conseguir se fixar. 

O Cotidiano e a Sobrevivência

"pegar numa lance tipo dar para catar Coelho do poço tá bebo do riachão para comer com suco de Jenipapo"

Aqui vira crônica da sobrevivência. "Lance" é armadilha. Caçar coelho, beber água do riacho, comer com jenipapo: é o cardápio da resistência. Mostra como viviam do que a terra dava. 

O Milagre da Água e o Susto dos Bois

"vira um olho d'água a água branca Cristalina que tinha dois bois"

O ponto de virada do poema é o milagre. No meio da seca, brota um "olho d'água", nascente. A água é tão pura que é "branca Cristalina". O susto dos bois representa o espanto diante da abundância repentina. Um boi cai, outro corre. É a natureza reagindo ao milagre.

A Fundação Sagrada da Cidade

"construir uma casinha debaixo da sopa do Tamboril, disseram Oratório para homenagear Santa Rita São Luiz Nossa Senhora Nazaré".

Depois da água, vem a casa. "Sopa do Tamboril" é a sombra da árvore tamboril, lugar de descanso. E junto com a casa, vem a fé. O primeiro ato não é a prefeitura, é o oratório. Santa Rita, São Luiz, N. Sra. de Nazaré e o pedido de chuva a São José mostram que Angelim nasce católica, devota e dependente do sagrado pra sobreviver.  

Memória e Celebração

"foi andando até que eu escrevia essas coisas. Parabéns 95 Anos de amor e alegria"

O poeta se coloca no final. Ele é quem guarda e conta essa história. O "foi andando" é o tempo passando. E ele termina celebrando: 95 anos de amor e alegria, apesar da ladeira, da seca e da luta.

Vamos assistir o vídeo, minha gente! 


 

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