quinta-feira, 11 de junho de 2026

A COPA SEM O REI E COM O PRÍNCIPE MACHUCADO

Crônica do Sr. Cariri | Por Marcos Moura

 Angelim-PE

O Brasil amanheceu pedindo Ney. Neymar bichado. Tornozelo que não aguenta um drible. Coxa que estala em campo sintético. 

Mas o povo grita: "Bota o Ney". Aí eu, Marcos Moura, 78 anos de idade, com meu jornalismo e de Copa do Mundo, fico me perguntando aqui da redação do blog: Cadê o Pelé?

Esta é a primeira Copa do Mundo com o Rei morto. Morreu em dezembro de 2022. A Copa para o Brasil começa amanhã.

Quatro anos depois, e parece que o Brasil esqueceu.  Não teremos minuto de silêncio direito. Não veremos a camisa 10 ser beijada antes do jogo. 

O que estamos vendo é pedido por milagre médico. "Libera o Ney, doutor". Meu povo, o Rei não precisa de liberação do departamento médico. Precisa de memória.Eu vi Pelé jogar. Vi em 70, na TV preto e branco lá em Caruaru e na rua que eu morava, só quem possuia TV era papai, que abriu as portas para os vizinhos assistir.  O homem parava guerra na África. Parava o mundo. Fazia gol de cabeça, de bicicleta, de letra. Fazia o Brasil ser gigante.

Neymar é craque. É o nosso príncipe. Mas tá quebrado. O corpo não aguenta a idolatria que jogaram nas costas dele. A culpa é da imprensa maior, fez a cabeça do povão. E o Pelé? Aguentou três Copas. Aguentou ditadura. Aguentou racismo. Aguentou ser preto e ser o maior do mundo num tempo que não perdoava preto ser grande.

 

Hoje a molecada pede o Neymar no Instagram. Faz dancinha. Cobra o cara que mal consegue correr. E o Pelé virou estátua. Nome de aeroporto. Saudade de avô. Na minha Angelim, a gente não esquece de quem fez a Casa Azul. Se morre um sanfoneiro antigo, a gente toca Asa Branca no enterro. Se morre o Rei do Futebol, a gente tem que tocar o hino na Copa. Mas o Brasil preferiu o drama. Preferiu a novela do tornozelo do Neymar. Preferiu esquecer que, pela primeira vez, entramos em campo sem o homem que inventou a camisa 10. 

Eu sou jornalista velho. Vi Garrincha, vi Zico, vi Romário. Nenhum foi maior que o Pelé. E nenhum será. Então deixo aqui o recado do Sr. Cariri: Antes de pedir Neymar bichado, agradeça ao Pelé inteiro. Antes de cobrar gol do príncipe, lembre dos mil do Rei. Copa do Mundo sem Pelé é igual São João sem fogueira. Acende, mas não esquenta. 

O Brasil joga órfão. E parece que não percebeu. É a ordem do serviço do Caíque leonino. É a verdade que dói. Marcos Moura, 78 anos. 
Blog do Sr. Cariri.  "A primeira Copa sem o Rei. E a galera pedindo milagre pro príncipe". Povo sem memória.

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