domingo, 15 de fevereiro de 2026

Governo começa a construir casas de plástico que ficam prontas em cinco dias com 50 m² e estrutura de encaixe sem argamassa resistente à umidade brasileira

 

Governo do Amazonas inicia construção de casas de plástico reciclado que ficam prontas em cinco dias, com 50 m² e produção local em Manaus.

 



Projeto no Amazonas usa plástico reciclado para moradias de 50 m² montadas por encaixe em poucos dias, com promessa de entrega rápida e foco em famílias de baixa renda.

O Governo do Amazonas iniciou a implantação de um modelo de moradia popular feito com blocos de plástico reciclado, com unidades de 50 m² e montagem por encaixe, sem argamassa, em um prazo divulgado de até cinco dias para erguer a estrutura principal.

Apresentado como projeto-piloto, o plano prevê começar por 25 casas em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, com prioridade para famílias de baixa renda e, sobretudo, para quem precisa ser realocado de áreas classificadas como de risco.

Em vez de depender apenas de insumos tradicionais, a proposta transforma resíduos pós-consumo em peças modulares que compõem paredes e divisórias, numa tentativa de reduzir o descarte de plástico e encurtar distâncias logísticas dentro do próprio estado.

Ao mesmo tempo, o governo vincula a entrega das casas a uma nova estrutura industrial em Manaus, criada para processar o material que antes costumava sair do Amazonas para reciclagem em outros locais, elevando custos e limitando a escala do reaproveitamento.

Como funciona a casa de 50 m² montada por encaixe

Com planta voltada ao uso básico, cada unidade tem dois quartos, sala, cozinha e banheiro, em metragem informada pelo governo como padrão inicial do projeto, alinhada a um formato de habitação de interesse social para famílias pequenas.

Governo do Amazonas inicia construção de casas de plástico reciclado que ficam prontas em cinco dias, com 50 m² e produção local em Manaus.

 

Na montagem, os blocos de plástico reciclado se unem em um sistema de encaixe, o que reduz etapas do canteiro quando comparado à alvenaria convencional, já que a estrutura dispensa argamassa e aposta na padronização das peças.

Segundo a apresentação do programa, a promessa de rapidez se refere ao tempo necessário para levantar a parte estrutural com os módulos, enquanto outras fases do processo, como preparação do terreno e instalações, também influenciam o cronograma final.

A defesa do modelo inclui o argumento de adaptação ao ambiente quente e úmido da região, onde problemas como infiltração e mofo são recorrentes em construções com manutenção irregular, embora o governo não tenha detalhado testes técnicos no anúncio.

Resistência à umidade e conforto em clima amazônico

De acordo com órgãos estaduais, o material foi pensado para suportar condições típicas do Amazonas, com alta umidade e calor persistente, ao usar polímeros reciclados processados para virar blocos construtivos com encaixes padronizados.

Além da durabilidade, o projeto também aponta benefícios ligados ao conforto térmico, sustentando que o sistema modular pode contribuir para reduzir a sensação de calor no interior, embora não tenham sido divulgados indicadores públicos de desempenho comparativo.

Como parte do desenho anunciado, a lógica modular permite adaptações e ampliações com menor necessidade de demolição, porque a casa pode receber novos módulos ao longo do tempo, conforme a família cresce ou novas necessidades surgem.

Enquanto isso, a execução acelerada aparece como resposta a um gargalo conhecido em políticas habitacionais, nas quais a distância entre seleção de beneficiários e ocupação costuma se alongar por obras demoradas e etapas sucessivas de contratação.

O centro de reciclagem em Manaus e a capacidade de produção

Governo do Amazonas inicia construção de casas de plástico reciclado que ficam prontas em cinco dias, com 50 m² e produção local em Manaus.

 

Para abastecer a construção, o governo inaugurou em Manaus o Centro de Reciclagem da Defesa Civil, que passa a concentrar a transformação do plástico em blocos, conectando coleta, processamento e uso final dentro do território amazonense.

A capacidade inicial divulgada para a planta é de mais de 80 toneladas de plástico por mês, volume descrito como suficiente para produzir componentes para até dez casas mensais, a depender do padrão de consumo de material de cada unidade.

Na estratégia apresentada, parte do plástico deve ser adquirida de cooperativas e associações de catadores, com a intenção de criar demanda estável para a coleta seletiva e ampliar a geração de renda de quem atua na base do sistema.

Em atualização divulgada por órgãos ambientais do estado, o projeto também menciona a presença de biodigestor nas casas e um custo estimado de R$ 60 mil por unidade, embora o governo não tenha publicado, no mesmo nível de detalhe, uma planilha de composição.

Amazonas Ecolar e o que ainda falta esclarecer

A iniciativa integra o Amazonas Ecolar, descrito como política que combina moradia e economia circular ao transformar um passivo ambiental em insumo de construção civil, com possibilidade de uso dos blocos também em equipamentos comunitários e outras estruturas.

Mesmo com a apresentação do piloto e da infraestrutura de reciclagem, o material público disponível não explicita, com a mesma clareza, critérios de seleção das famílias, fonte integral de financiamento e metas de escala para além da etapa inicial em Iranduba.

Ainda assim, ao atrelar habitação à eficiência da reciclagem e da logística de coleta, o governo coloca o programa diante de um teste prático que depende de produção contínua, controle de qualidade, assistência técnica e transparência sobre prazos de entrega.

Com as primeiras unidades em construção e previsão oficial de entrega do conjunto piloto até março de 2026, que resultados a população vai observar na prática sobre custo, manutenção e velocidade de ocupação quando essas casas começarem a ser habitadas?



 

 


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