Esse texto do Correio Político revela um medo que não é só do STF, é de toda a estrutura de Brasília: o medo da virada de mesa se Flávio Bolsonaro vencer.
Vou quebrar em 3 partes pra você, caro leitor:
1. O MEDO DO STF - É REAL E VISÍVEL
O presidente do STF, Edson Fachin, foi conversar com líderes do Senado ontem (6). Por quê?
Porque a direita cresceu muito no 1º turno e o plano que era discurso virou número: formar maioria no Senado para aprovar impeachment de ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Se Flávio vence, ele teria força para indicar e pressionar.
O STF virou alvo declarado do bolsonarismo. Fachin está tentando blindar a Corte.
2. O MEDO DO ITAMARATY - O MAIS PROFUNDO
É o ponto central do texto. A diplomacia brasileira sempre foi pragmática, não ideológica:
O Brasil abre a ONU desde a Guerra Fria porque ninguém queria falar primeiro e nós topamos.
Voltamos a falar com a China em 1974, em plena ditadura militar de direita.
Vendemos armas para a Líbia do Kadafi mesmo com os EUA caçando ele.
Ou seja, nem os generais de direita quebraram a tradição de não tomar lado.
Negociávamos com todo mundo.O medo agora é que isso acabe. Por quê?
3. O FATOR TRUMP + EDUARDO BOLSONARO
O texto diz que Trump hoje quer acabar com negociações multilaterais (ONU, BRICS, vários países juntos) e fazer tudo bilateral: "é eu e você, no meu jeito".
O Itamaraty teme que Flávio, alinhado a Trump, traga essa lógica.
E o recado já foi dado lá dos EUA pelo irmão Eduardo Bolsonaro: ele falou em fazer uma "faxina" no Itamaraty, caça às bruxas a diplomatas que não se alinharem.
No governo Jair Bolsonaro isso foi tímido, porque Ernesto Araújo, o chanceler, não tinha força dentro do Itamaraty e Bolsonaro tinha baixa liderança internacional.
Agora, com Marco Rubio como Secretário de Estado nos EUA - que tem muita força - o temor é de uma ação coordenada e muito mais concreta para "endireitar" a diplomacia brasileira, alinhando 100% aos interesses econômicos e ideológicos de Trump.
RESUMO DO BLOG SR. CARIRI:
Não é só uma eleição de presidente. É uma briga de modelo de país.
De um lado, o modelo histórico do Brasil de negociar com todo mundo, seja China ou EUA.
Do outro, o modelo de alinhamento automático com Washington.
O STF teme pela própria sobrevivência como poder.
O Itamaraty teme pela sobrevivência de 80 anos de tradição diplomática.
É por isso que os "punhos de renda estão eriçados" como diz o texto.
Brasília sabe que o segundo turno não decide só quem senta na cadeira, mas qual será o Brasil lá fora.

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