O Estudiantes, foi o professor: o Flamengo definitivamente não aprendeu a lição. "Esqueceu de fazer o dever de casa".
| Hudson, Renata, Mateus |
O Estudiantes deu a virada pra cima do Flamengo a três dias das eleições no Brasil.
Parece coincidência, mas não é. Enquanto se promete virada de votos no dia 25, o time argentino mostrou em pleno Maracanã que virada existe.
Até seria bom um comparativo: política versus futebol.
O Mengão tem jogador de 40 milhões. Um só.
O Estudiantes nunca na vida poderá comprar um atleta por esse preço. Nunca. E foi lá e virou.
O preço da política e do futebol se confundem. De um lado, milhões em contratações que não entram em campo.
Do outro, milhões em promessas que não entram na conta do povo.
No drible das promessas - falácias e enganação - todos estão no impedimento.
O atacante está impedido, o político também. O juiz não marca, o VAR não chama, e a torcida continua gritando gol.
E aí eu penso na minha família.
Renata, minha filha, Hudson, esposo dela, meu genro, e o Mateus, meu neto, que esteve no Maracanã pela primeira vez.
Ele não merecia isso. Vestido com a camisa do Flamengo que seu avô lhe presenteou.A primeira vez no Maraca tem que ser de alegria. Tem que ser de gol, de festa, de sair gritando "Mengo" na rua. Não de cabeça baixa, com a camisa suada de tristeza, vendo um time de 40 milhões perder para quem não tem nem 10% do orçamento.
Um menino bom! Já é professor
O Mateus foi com o sonho de criança. Voltou com a decepção de adulto. Aprendeu cedo o que muitos só aprendem depois: que nem sempre o mais caro ganha.
O Flamengo tinha tudo para golear. Tinha elenco, tinha estádio lotado, tinha favoritismo. Perdeu. Porque futebol não se ganha no papel. E eleição também não.
Que no domingo próximo, ao término da partida, quando o TSE apitar o fechamento das urnas às 17h, não haja tanto sofrimento como aconteceu hoje à noite no Maracanã.
Que não tenha neto chorando no banheiro do Maracanã, nem avô com dor no coração por ter presenteado uma camisa que virou motivo de choro.
Porque no futebol e na política, a conta sempre sobra para a arquibancada.
O jogador de 40 milhões vai dormir tranquilo. O candidato que prometeu mundos e fundos também.
E nós? Nós, a Renata, o Hudson, o Mateus e eu, ficamos esperando a próxima rodada.
Sr. Cariri - Angelim, 22 de outubro de 2026


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