Programa é uma das principais bandeiras dos governos Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula
Tarifa Social concede descontos escalonados de 10% a 65% na conta de luz
O governo excluiu 5,8 milhões de famílias do programa Tarifa Social
da Baixa Renda neste ano, quase metade do total de beneficiados. O
programa, que concede desconto na conta de luz de famílias com renda per
capita de até meio salário mínimo, é uma das principais bandeiras dos
governos Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até o ano passado, 13,1 milhões de famílias tinham direito à Tarifa
Social, programa que concede descontos escalonados de 10% a 65% na conta
de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) alega que as
famílias excluídas do programa não se enquadram mais nos critérios
exigidos pelo governo.
"Nossa preocupação foi garantir que todos que merecem o benefício
continuem recebendo e assegurar que quem não faz jus ao programa não
seja subsidiado", disse o diretor da Aneel Tiago de Barros Correia.
Todas as pessoas excluídas tiveram problemas com o cadastro único
para programas sociais do governo, exigido para a concessão do
benefício. Para ter direito ao desconto na conta de luz, é preciso estar
em dia com o cadastro do Número de Identificação Social (NIS), feito
pelo Ministério do Desenvolvimento Social.
Quase 2,801 milhões de famílias perderam o benefício porque deixaram
de atualizar o cadastro nos últimos dois anos. Para esse grupo, o
desconto deixou de valer em 1º de março. A duplicidade de cadastro
resultou na retirada de 909,6 mil famílias. Era o caso em que um mesmo
NIS era usado em mais de uma residência.
Somente o primeiro endereço
cadastrado foi mantido. Esse grupo perdeu o desconto em 1º de janeiro.
Outros 2,185 milhões de famílias perderam o direito ao benefício por não
terem sido localizadas no cadastro ou por terem renda superior a 0,5
salário mínimo. Esse grupo perdeu o desconto em 1º de novembro.
Ao todo, foram 5,8 milhões famílias excluídas, ou 45% do total de
beneficiários de 2014, que somava 13,1 milhões. Até o ano passado, cerca
de 60% dos beneficiários eram do Nordeste e 20% do Sudeste. O restante
se dividia de forma semelhante no Norte, Sul e Centro-Oeste.
Custo - O programa Tarifa Social consumirá 2,166
bilhões de reais neste ano, ante 2,099 bilhões em 2014. Até o ano
passado, o Tesouro bancava o custo, mas, neste ano, ele será pago por
todos os consumidores, que tiveram um aumento extra na conta de luz.
O programa funciona de forma escalonada, como o recolhimento de
Imposto de Renda. Uma família com consumo mensal de 250 kWh paga os
primeiros 30 kWh com 65% de desconto; a faixa entre 31 kWh e 100 kWh com
40% de desconto; a parcela entre 101 kWh e 220 kWh com 10% de desconto;
e a parte acima de 220 kWh sem desconto algum.
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